quarta-feira, 17 de março de 2010

Adão e Eva....

Terá sido Adão feliz? E a Eva? Os dois com tanto espaço para explorar, com toda a privacidade do mundo para se puderem amar, donos do tempo e do espaço. O ar era puro, a água cristalina, a terra generosa, as árvores repletas de saborosos frutos, sem pesticidas nem herbicidas. Não tinham o conceito de doença, nem de loucura, nem de morte, nem de paraíso, nem de inferno, nem de felicidade, nem de dinheiro, nem de sucesso, nem de insucesso. Viviam. Libertos de televisão, e de jornais, e de internet para os distrair da força vital do momento. Sem engarrafamentos de transito, sem filas para o IRS, sem patrões a quem prestar contas nem subordinados para domar, sem Estados para cobiçar e conquistar e sem um Estado para zelar e defender, sem leis, sem regras, sem proibições, imunes a tabus e preconceitos, com o inferno dos outros restrito a um só outro, com toda a natureza para fruir, com todas os mistérios da vida para descobrir, em tudo pioneiros, para tudo precursores. E então surgiu a maçã, e então surgiu Lilith... E tudo se tornou mais complicado mas também mais interessante, num rico mosaico de luzes e sombras... Mas a pergunta continua a ser pertinente:Terão sido mais felizes antes ou depois? Ainda andarão por ai Evas e Adões?

quarta-feira, 10 de março de 2010

A night at the Oscars...Is business our God?

A grande noite dos óscares...
Parece que o David desta vez papou o Golias. Ainda bem para o cinema, digo eu. A vitória da arte e do engenho que nasce da frugalidade de recursos, sobre a abundância, não raras vezes esbanjadora, e a pirotécnia sempre impressionante mas tantas vezes vazia, do grande espetáculo hollyodesco.

IS BUSINESS OUR GOD? Confesso que, como apaixonado por cinema, sempre senti um certo fascinio pelos óscares. E sempre que posso acompanho a cerimónia, pela noite fora, sem perder pitada. Mas aquilo não tem nada a ver com premiar Obras de Arte. Até porque as verdadeiras obras de arte só competem com o tempo, não competem umas com as outras. Não lutam pela supremacia.

Pelo andar da carruagem, isto terá sobretudo, e cada vez mais, a ver com comércio, com promover, com vender, com rentabilizar os produtos, e assim alimentar a industria. Daí a conveniência em alargar as listas de nomeados. Is business our God? É triste porque no cinema como na vida só as coisas que saem do fundo da alma têm um valor acrescentado. E isto revela, acima de tudo, um jogo de interesses que não prima pela inocência dos propósitos e que baixa a fasquia de uma forma de arte que pode e deve ser acessivel às massas. Serão as massas insensiveis à substância profunda de um filme com a densidade artistica e intelectual de um Apocalipse Now?

Não estarão as massas disponiveis para sondar as profundezas da alma humana? Só estarão disponiveis para entretenimentos vãos e superficiais? Porque é que isto acontece? Pelos valores emergentes das culturas ocidentais? Pelo sistema de ensino e de educação que brota desses valores culturais? E qual é o preço a pagar? Sociedades mais insensiveis, mais embrutecidas, mais impermeáveis ao entendimento amplo da vida e dos homens, e dos seus multiplos e complexos cenários? Estarei a ser pessimista? Estarei a ver somente o lado negro da coisa? Estarei a fazer uma critica vazia e insubstancial? Is business our God?

segunda-feira, 8 de março de 2010

À Mulher...

"Mulher!
Luz criada numa sombra abandonada
Refugio perdido, Porto de Abrigo
Coração que lava a lava derramada num rosto de criança

Caminhas com a subtileza de uma brisa
Entranhada sorrateiramente nos moldes da vida
Erguida no porte altivo das Esfinges
Espalhas a graciosidade agreste das Meretrizes

Quando soltas os cabelos de cetim
Um desejo trovejante vibra num mundo sem fim
E uma lufada de odor a amoras quentes
Invade o sangue acordando amores dormentes

Pele que cintila como mar de fogo ao luar
Olhos brilhando a cores inconstantes
Como sóis irradiantes em eclipses cortantes
São faróis que guiam náufragos atormentados
No breu dos dias enviuvados

Os contornos da tua alma são precipícios para abismos de emoção
E no núcleo afluem lagos alagados por mil folhas flutuantes
Ternamente embaladas pelos berços das correntes cortantes

E por cada folha caída, uma história cravada, um rio transbordante, uma cratera em
ebulição, uma colina escalada, uma floresta desbravada

Para no crepúsculo salvador,
em teus mansos braços, a humanidade desvendar a ilha onde
potentes explosões aniquilam a dor
Mulher! "

domingo, 7 de março de 2010

ANALOGIAS

ANALOGIAS

Em grande parte das relações estabelecidas entre um homem e uma mulher cada um deles deveria vir acompanhado não só de um manual de instruções como também de um kit de primeiros socorros.

Quando começamos a andar com alguém é como se estivéssemos a guiar um carro novo sem entendermos a função de cada um dos comandos . Isto implica o risco de por vezes ligarmos os limpa pára-brisas quando lá fora está um nevoeiro de cegar a mais perspicaz das águias, ou de que o carro, sem vidros nas janelas, pare no meio de uma savana repleta de leões. Em qualquer dos casos, com um pouco de sorte, apelamos para a caixinha de primeiros socorros e curamos as feridas. Mas as cicatrizes permanecem.

Além disso, todos conhecemos pessoas que guiam muito mal, carros sem travões, a precisarem de amortecedores ou de óleo, com as luzes baixas, com carga a mais, com coisas a menos debaixo do capot, carros que não obedecem, que não fazem inversão de marcha, que são barulhentos de mais, de suspensão dura ou que têm o depósito vazio.

É por isso que as pessoas quando decidem casar escolhem quase sempre meios de transporte muito básicos. São simples, fiáveis, de manutenção barata e de comportamento previsível. E tudo isso é importante para uma viajem que se quer longa, segura e suficientemente enfadonha de modo a podermos exercitar o nosso comodismo.