sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Velho Amigo...

Meu velho amigo : como é possível apagar-te da memória por muito amnésicos que estes neurónios possam parecer? Como posso esquecer esses dias de pura inocência. As farras, a loucura de quem tinha uma fome insaciável de vida, no limite da sanidade, a rivalidade leal e sadia pela miudas que não raras vezes ambos disputávamos num impulso primordial de competição criadora, os incontáveis jarros de sangria, as competições desenfreadas de 'girafas' nas tascas num ritual à nossa masculinidade emergente, as noites de luar que testemunhavam com langor a nossa dimensão devassa e incontida,os toques blasfemos no sino da igreja,as estúpidas cenas de violência com os nativos, litros e litros de esperma vertido, litros de vinho, litros de suor, litros de VIDA... Eu continuo como as ondas do oceano, sempre, até k o requiem das marés me afunde no poço de mármore. Um abraço eterno do teu mano pra sempre...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Dependências...

Meus amigos, á uns dias atrás deu-se um apagão momentâneo e ficámos sem a nossa "preciosa" TVcabo e eu fiquei a pensar para comigo mesmo como reagiram diversos tipos de personalidade. Para nos chatear os cornos, diria um paranóico.Para nos entretermos a fazer filhos, diria um comediante.Para a colectividade poupar luz, comunistas-miserabilistas da merda!, diria um preconceituoso com tiques do pós-25 de abril.Para termos tempo para as actividades do espirito, para exercitarmos o pensamento, diria um intelectual com desdem crónico pelos passatempos do Zé povinho.Para nos purificarmos das toxinas da mundanidade, diria um mistico.Para nos penitenciarmos das nossas iniquidades, diria um puritano. Para nos desenjoarmos da abundância consumista, diria um pragmático.Para apertarmos o cinto, diria um espartano com a mania das dietas.Para aprendermos a desmamar o vicio, diria um depravado em vias de regeneração.Para valorizarmos o pouco que possuimos, diria um sábio.Para saborearmos os frutos duma dor antecipada, diria um poeta fatalista.Para sairmos do casulo e entrarmos no êxtase de um pôr-do-sol, diria um poeta romântico.Para aferirmos o grau de dependência e de importância que os nossos serviços têm na vida dos nossos clientes, diria o servidor, lambuzado e arregalado com as reclamações sensatas, as indignações delicadas, as lamurias molhadas, e as injurias cabeludas. No fundo, tudo é uma questão de perspectiva. Tudo é interpretação do nosso olhar filtrado.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Indecências virtuais

Os grandes sentimentos enlatados e de abertura fácil que emergem de alguns anuncios publicitários só me fazem rir até à raiz das lagrimas. Alguns são tão trogloditas como as tretas que nos querem vender. E tratam as pessoas como se fossem imbecis. Enfim, a velha e costumeira manipulação de massas de um monstro muito sedutor que abana a cauda e faz estremecer as carteiras mais desprevenidas e os sonhos mais ávidos. Em tempos de vacas escanzeladas até ao tutano haja algum decoro caramba. Mas qual decoro? Não sejas ingénuo. Não sejas labrego. Vives no seculo 21 ou na idade da pedra? Wake up! O que interessa mesmo é vender! Business! Vender! Business! Vender! Business! Números, números e mais números! O resto são considerações de quem trabalha pouco e pensa demais. De pategos, portanto.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A vida

Muitas vezes dou por mim a pensar, e com cada vez maior frequência ultimamente, sobre o propósito da vida e sobre a forma como a organizamos. Existimos para sobreviver, como meros animais não racionais, trabalhamos cinco dias em sete (alguns mais que isso), empenhamos a maior parte do nosso tempo em actividades extenuantes, mecânicas, esgotantes. E onde entra o prazer da vida? As necessidades sensoriais? O gosto de viver por viver? São poucos os momentos que temos disponíveis para o fazer, vividos intensamente e de forma quase louca e desenfreada, como se fossem os últimos de uma saga que nos parece sempre curta de mais. Caminhamos para o abismo? Talvez. Penso que temos de refundar o nosso modo de vida, sob pena de termos robots no trabalho, espartilhados, personalidades anuladas e insípidas, e seres transgressores no campo sensorial, sem noção do meio, princípio ou fim.

Sentido de Humor

A melhor forma de quebrar a tensão nervosa entre, por exemplo, marido e mulher ou entre dois Estados Soberanos, que estão momentaneamente em atrito, é usar um diplomático e oportuno sentido de humor, tentando fazer rir o oponente. Em casos de baixa e média gravidade poderá ser um bálsamo de inestimável eficacia contra a irascibilidade e o orgulho; um balde de água fria para apagar o rastilho mental de cabeças prontas a explodir para a guerra! Mas se o outro não está não está pái virado, por estar de tal modo absorvido no exercicio do seu autoritarismo, de tal forma embrenhado na sua sede de mandar o outro pelo ego abaixo, e não em apaziguar o conflito pela inteligência acima, nada a fazer senão comer e calar.É por estas e por outras k o poder pode, eventualmente, corromper muitas almas arregaladas e fanar ou finar muitas vitimas achandradas . Diálogo e Humor Sempre!

Como educar uma Vinha?

COMO EDUCAR UMA VINHA?Numa vinha bem podada, os raios de sol penetram facilmente nos cachos de uvas que, ao léu, amadurecem mais rapidamente. Destas uvas colhidas, pisadas e fermentadas resulta quase sempre um vinho mais espirituoso, denso e quente. Mas se a vinha não for devidamente podada, os raios de sol não conseguem penetrar convenientemente nos cachos refundidos entre a espessa rama e a densa folhagem, o vinho daqui resultante será mais ácido, mais fraco e mais ingrato por falta de celestial alimento. Numa vinha bem regada medrarão uvas robustas, suculentas e lisas. Numa vinha mal regada medrarão uvas mirradas, secas e encarquilhadas. Uma vinha sulfatada é uma vinha vacinada. Uma vinha carente de sulfato é uma vinha desamparada. Uma vinha atada é uma vinha bem educada. Uma vinha desatada é uma vinha mal fadada. Vinha amada, vinha abençoada.

A Lei do Tempo

Um ano mais velho na Terra, um ano mais novo para o Céu. Assim se pavoneia a lei do Tempo. A lei do Tempo essa santa com ar de megera, é simplesmente uma sede que se vai apagando. Primeiro intumesce, borbulhante e lasciva, cheia de mar e a espumar até á boca do gargalo. Depois, rebenta como uma rolha de um bom Champagne que se quer escapar do cárcere, para, finalmente, acalmar uma sede que se esgota na goela saciada da alma.A rebentação orgástica é pois uma espécie de passamento, um simples passamento. A vida é uma inspiração. Às vezes leve, outras pesada, às vezes oxigenada, outras asmática. A morte é uma expiração, um alivio, uma energia que no cúmulo da tensão se relaxa, e, no meio dos dois, pudemos sentir o Além...